Depois de uma fase em que tudo me aconteceu (expulsaram-me hospedes sem razão nenhuma do hotel e tive de andar com eles como se meus filhos fossem) , uma chamada em que me dizem "acho que o meu marido morreu" (e tinha morrido) e uns cães que decidiram atacar para matar outro e tive de proteger com o corpo, isso meia hora antes de uma reunião com 50 pessoas, aparecendo lá de joelhos esfolados, mãos cortadas e só depois tratar das feridas. costumo fazer isso eu, tratar das feridas depois do ataque mas só muito tempo depois. um dia explico. depois disso tudo, é final de temporada e estamos (todos) exaustos. dei-me conta disso hoje quando, ao almoçar com um colega, sorrimos para um hospede que fez uma piada (daquelas que já ouvimos imensas vezes mais rimos como se fosse a primeira e, pior; que teve graça) e esse sorriso foi um sorriso de palhaço triste. não havia melhor definição; estamos um palhaço triste. há uma rotina até nos diferentes hospedes que se encontra. procuram sempre algo típico em estações balneares (!!!!) markets para comprarem "souvenirs" e hoje perguntaram me onde se pode comer chinês barato e nem pestanejaram quando disse que perto de qualquer canil. fuck my life.
já custa sorrir. já nem apetece fazer de conta que me lembro dos hospedes que estiveram noutro hotel há dois anos e "você até me deu aquela dica do barco em tavira! não se lembra??" não, amigo, não me lembro, também não li as criticas que diziam "o hotel é uma merda mas a representante é bem simpática" até porque nao é isso que vão ter, meus lindos, é fim de temporada, , ainda me custa dobrar a perna e sorrir entao, deus me livre, vi o corpo morto de um hospede e tenho de fazer ainda um testemunho à policia.
A parte má é que nao há ninguém de fora que entenda, não há ninguém que perceba o quanto é cansativo e, ao mesmo tempo, reconfortante trabalhar em turismo. a parte boa é que nos juntamos, todas as semanas, na casa de uma, fazemos comida, trazemos imensa bebida e brincamos com tudo o que os aconteceu naquela semana. sim, acho que posso dizer que tenho amigos, é uma coisa nova para mim, isso de ter colegas amigos, pessoas que nao só sabem o que acontece dentro do horario de expediente mas também fora e gosto. gosto de poder contar com eles, sei que é perigoso mas também é gratificante explicar porque, naquele dia, não estamos a 100%. é bom poder mandar mensagens no meio de uma reuniao a fazer de conta q se está a verificar disponibilidade ou preços e só dizer a outro "i want to go home" ou mandar um dedo do meio e entenderem em vez de faltarem ao respeito e perderem o nosso. sonhei que estava apaixonada pelo sheldon, também sonhei que iria viver para itália. um dos dois irá ser realidade e o sheldon é gay. já estive pior.
o mal menor
os clichês existem porque sao a verdade repetida
Ontem estava a voltar da excursão. O nível de cansaço era tanto qe adormeci no autocarro; 17 idosos com as mesmas perguntas e eu sempre sempre com o mesmo discurso. Gosto de guiar a excursão mas, em fim de temporada, já cansa, já aborrece e ja tinha prometido não a fazer mais. Arranco com o meu carro e prometo descansar. Ligam me de um hotel; o casal que eu tinha visto na segunda feira? olhe, o marido morreu. A mulher quer falar contigo. O problema disto de se falar francês é que pareces uma jarro raro. Em principio não serves pra nada mas depois aparecem leiloes e todos te querem. adiante; Há uma coisa que nao sabes, eu não tenho medo de baratas, cobras ou mesmo, vê tu, aranhas ou agulhas mas, por favor, a morte? Metam-na longe de mim.
Meia hora depois cheguei ao hotel. A corrente de ar permitia ver entre os cortinados um corpo cinzento envolto de um plástico e um cheiro horrível. A senhora, sentada, tinha um olhar que nunca esquecerei; vidrado e perdido. Ao lado, uma holandesa a forçar empatia com ela, aos abraços e a gabar-se de que está a reconfortar a estranha desde o inicio, ao lado a policia com ar de tédio e às mensagens, o chefe de receção sem saber muito bem o que fazer, a dar copos de agua a toda a gente e a suspirar. Fomos dar uma volta, almoçamos, estávamos no sofa, ele revirou os olhos e foi-se. A ambulância demorou meia hora, porque demorou tanto tempo?” Eu nao sei, minha querida, foi ataque cardíaco fulminante, só lhe posso dizer que mesmo que tivessem vindo mais cedo, não havia nada a fazer. Porque nao vieram mais cedo?” E essa pergunta passei a noite toda a ouvir e a responder sempre da mesma maneira. Porque nao vieram mais cedo?
É nestas alturas que metes os pés no chão e vês o quanto o mundo é cao. Ou é como é mas não gosto de usar a expressão “é como é” portanto é um mundo cão e o gajo da agência de seguros não me sabe dizer quando é que a hospede pode voltar para perto do filho. São onze da noite, a esta hora não há muito que eu possa fazer e eu respondo que aqui também e estou a procura de voos em Lisboa para que ela possa ir ter com o filho que, entretanto, me liga de cinco em cinco minutos a perguntar o que vai acontecer agora, isto a juntar a viuva que, de quando em vez me olha com os olhos perdidos e me pergunta porque a ambulância demorou tanto tempo.
Depois do olhar perdido, há outra coisa que nunca esquecerei. “eu aderi ao seguro porque na publicidade prometiam aviões privados em caso de repatriamento e agora não tenho nada” e a ingenuidade, tal e qual os cremes anti rugas que tiram anos de marcas afectou-me.
Dirijo me a ela usando o seu nome, não é muito dificil, tem o nome da minha mãe. Quando me quero referir ao marido, tenho de, constantemente, ver o seu bilhete de identidade e rever a foto dele, não cinzento e de cheiro agonizante mas sim de ar saudável e quase a sorrir. Tinha 59 anos. Porque nao vieram mais cedo?
Explico-lhe devagar o que vai acontecer; amanha vamos leva la para lisboa, dali uma colega ira metê-la no avião para lille. Quando sair do avião terá ajuda com as bagagens e quando sair estará com o seu filho. Em casa. Repito isso milhares de vezes, ela continua a perguntar porque não vieram mais cedo e quando é que o marido vem para casa. Eu sei que estas coisas demoram dias, se não semanas. Não respondo. Digo que só depois da autópsia podemos ter certezas. Porque nao vieram mais cedo.
Voo marcado, transfer pago, copias feitas e emails mandados, volto para casa e um colega, que viajou por meio mundo, me contou as vezes que isso lhe aconteceu; o casal em lua de mel e ele morre porque estava todo minado de cancros e não sabia, a mulher que foi fazer um passeio e o marido morre de embolia pulmonar enquanto ficou na piscina e todas essas coisas que, afinal, não acontecem a milhares de quilómetros de distancia. É já ali, dentro do quarto onde os cortinados dançam e deixam ver o corpo cinzento e o cheiro a morte.
Nao tenho a certeza ainda mas acho mesmo que o olhar dela mudou-me para sempre.
life full of whatever
na sexta feira, uma colega liga-me a dizer que tenho, no clube onde ela trabalha, um cliente da minha agência que não está satisfeito. chamava se "sousa". eu ri-me e disse que lá estaria às duas. cheguei era uma e meia porque ao pequeno almoço descobri os ovos mexidos com queijo e as torradas com azeite e praticamente rebolei até lá sem passar pela casa do almoço.
Aparece-me um tipo de manga cava e fio de ouro ao pescoço. senta-se e resmunga durante meia hora. aprendi (e bem) que é preciso deixa-los falar. queixou-se de tudo; das filas para comer, do bar que só está aberto até as 18, de poucas espreguiçadeiras perto da piscina mimimimimi basicamente o Algarve em Agosto e eu ouvi. ouvi tudo. foi só quando a mulher chegou que acordei. juro que até aí só me apeteceu fazer contas e informar que, para mudarem de hotel teriam de cuspir mais 1500 euros mas ela chegou com os putos e algo em mim quebrou. baixota, uma energia do caraças, dois putos lindos, topei logo que era uma trabalhadora que merecia ferias, não me perguntem como, soube. a dada altura ele foi para o quarto mais os putos e fiquei com ela; origem italiana, nasceu na Bélgica, ficou com a pizzaria dos pais e, mais a irmã tomam conta do negócio sem afastar os pais. já fez uma abdominoplastia e botox. olhar para ela era como olhar para uma acrtiz wanna be. aquele desejo de ser algo que nunca seria, tinha as mãos de trabalhadora e o cabelo de princesa.
odeio burocracia, odeio mesmo mas passei a tarde toda a tentar mudá-los de hotel até que se fez luz e aproximei-me do manager e, sussurrando, confessei que eles ficarem ali só iria causar veneno e que o melhor era muda-los dali pra fora. resumindo e concluindo, foram para a um hotel de cinco estrelas, tudo lindo e tudo novo. sem custos extras para ninguém. nao me perguntem como consegui, nem sei, foi sorte mas hoje fui visita-los no novo hotel e ela apareceu qual estrela de cinema, chapeu de palha preto, vestido de renda negro e maquilhagem perfeita. enquanto o marido continuava com a manga cava e a porra da corrente com um puto em cada Mao, ela deslizava pelo hall do hotel e sentou-se com uma elegância incrível. disse que se sentia, enfim, em casa e que não sabia como me agradecer. ao despedir-se, abraçou-me com os seus braços de quem faz massa de pizza todos os dias, as maos cheias de calos e vida e senti - mesmo - ter dado, durante uma semana, a vida que aquela mulher merecia. e correu tudo bem.
Aparece-me um tipo de manga cava e fio de ouro ao pescoço. senta-se e resmunga durante meia hora. aprendi (e bem) que é preciso deixa-los falar. queixou-se de tudo; das filas para comer, do bar que só está aberto até as 18, de poucas espreguiçadeiras perto da piscina mimimimimi basicamente o Algarve em Agosto e eu ouvi. ouvi tudo. foi só quando a mulher chegou que acordei. juro que até aí só me apeteceu fazer contas e informar que, para mudarem de hotel teriam de cuspir mais 1500 euros mas ela chegou com os putos e algo em mim quebrou. baixota, uma energia do caraças, dois putos lindos, topei logo que era uma trabalhadora que merecia ferias, não me perguntem como, soube. a dada altura ele foi para o quarto mais os putos e fiquei com ela; origem italiana, nasceu na Bélgica, ficou com a pizzaria dos pais e, mais a irmã tomam conta do negócio sem afastar os pais. já fez uma abdominoplastia e botox. olhar para ela era como olhar para uma acrtiz wanna be. aquele desejo de ser algo que nunca seria, tinha as mãos de trabalhadora e o cabelo de princesa.
odeio burocracia, odeio mesmo mas passei a tarde toda a tentar mudá-los de hotel até que se fez luz e aproximei-me do manager e, sussurrando, confessei que eles ficarem ali só iria causar veneno e que o melhor era muda-los dali pra fora. resumindo e concluindo, foram para a um hotel de cinco estrelas, tudo lindo e tudo novo. sem custos extras para ninguém. nao me perguntem como consegui, nem sei, foi sorte mas hoje fui visita-los no novo hotel e ela apareceu qual estrela de cinema, chapeu de palha preto, vestido de renda negro e maquilhagem perfeita. enquanto o marido continuava com a manga cava e a porra da corrente com um puto em cada Mao, ela deslizava pelo hall do hotel e sentou-se com uma elegância incrível. disse que se sentia, enfim, em casa e que não sabia como me agradecer. ao despedir-se, abraçou-me com os seus braços de quem faz massa de pizza todos os dias, as maos cheias de calos e vida e senti - mesmo - ter dado, durante uma semana, a vida que aquela mulher merecia. e correu tudo bem.
heart
As "capazes" (saudades das capazes no twitter) decidem motivar o desenvolvimento da capacidade dos homens poderem expressar o que sentem sem parecerem frágeis. As capazes (saudades das "capazes" no twitter, não sei se já tinha dito) sempre tiveram jeito para motivarem atitudes errando apenas ao pensarem que se deva só a um sexo, especialmente ao do homem. desgraçados.
Mostrar sentimentos, seja ele qual for, seja ele de quem for, é sempre uma prova de coragem, nunca de fraqueza. É cada vez mais difícil para nós, seres humanos multifacetados e embrulhados em dezenas de papeis durante o dia, podermos abrir o coração e dizer que precisamos de isto ou aquilo. que sentimos, que nos dói, que nos alegra. ter um coração hoje é mais penoso do que ter uma divida ao banco. Actualmente, precisar é sinal de que não nos safamos com o que temos, dizer que precisamos é, na maior parte das cabeças, acharem que não conseguimos sem, quando não até conseguimos (mas não é a mesma coisa).
Eu sei que hoje em dia é fácil matar alguém da nossa vida, basta bloquear de todas as redes sociais e do telemóvel (se não souberem como se faz, eu ensino, sou pro nisto) mas não sei até que ponto é saudável matar a pessoa em vez de a lembrar como alguém que, algures, nos enriqueceu e, vejam lá a loucura, saber dela não como quem faz parte da vida mas sim como quem já fez e nos moldou.
Falar do que nos dói, do que nos faz feliz, dizer que sentimos falta, pedirmos desculpa ou mesmo que nos desiludimos não deveria ser um sinal de fraqueza mas sim de coragem, coragem de termos decidido deitar para fora o que mais valioso temos, o coração, os sentimentos. fraqueza não é sentir, fraqueza é negar o que sentimos. coragem é saber que, depois de tudo deitado cá para fora, continuamos vivos e prontos para as consequências. sejamos homens ou mulheres. os animais já o fazem sem pensarem muito, vejam lá isso.
uma, duas, quarenta coisinhas que deves saber sobre mim
não sou tão segura quanto pareço mas também não tão insegura como te quero parecer. gosto de poucas pessoas mas essas gosto em demasia. não te admires de não me entenderes porque também não me entendo, não é tão mau assim, é sempre uma surpresa saber como vou reagir mas desde que me mantenhas o coração quente, eu fico calma, o problema é quando fico confusa, fico sem saber com reagir ou pensar e ai há um curto circuito e volto a ter 12 anos. freud deve explicar, eu nao.
Farto me de falar mal da minha família mas nao te atrevas a fazer o mesmo. gosto de vinho e queijo. e gosto de cozinhar, de carne crua e pepino. adormeço com series em repeat porque a rotina me sabe bem. não gosto de surpresas mas adoro fazê-las. posso ser marota debaixo da mesa num jantar de família no natal mas ficar corada se me quiseres fazer o mesmo. adoro o meu trabalho e levo-o para casa. para o bem ou mal. tanto posso te contar que estive com um casal que se conheceu numa sex shop há vinte anos e adorei assim como um grupo filho de puta tao merdoso que os meti num barco com levante a levar porrada e a vomitar. nao esperes muita atividade física, os carros foram inventados para evitarmos caminhadas mas se for no meio da serra de Arrábida a ver se encontramos raposas, estou lá. gosto de choco frito.nao ligo a dinheiro. não gosto de praia, acho demasiado calor e areia e agua mas fico debaixo do guarda sol a ler. prometo. tenho imensa bagagem mas vais gostar dela. e tenho imensos caes e vais gostar deles também, especialmente do meu, o que parece um gato, sempre a metro e meio de mim mas nunca se afasta mais, não me larga, é o meu anjo da guarda. nao gosto de matilhas, de bullying e sou sempre pelo mais fraco. geralmente só descobrem que sou boa pessoa quando sou a única a nao largar depois de toda a gente ter desistido. gosto de dormir e de ronha. a minha irmã e chefe, duas pessoas que me ajudavam a ser melhor decidiram mudar de país e isso deixa-me frágil. gosto de poucas pessoas mas depois quando gosto sou dependente delas e preciso tê-las próximas. tenho twitter mas espero que nao o descubras, é o único sitio onde posso escrever o que me apetece. também tenho fb porque acredito na partilha de vídeos de cães fofinhos. Quero conhecer a Itália, também quero ver auroras boreais e tudo isso de carro. tenho péssimo gosto musical mas orgulho-me dele. gosto de cremes perfumados, só tenho dois perfumes. acredito em amuletos da sorte, tinha uns brincos que me traziam coisas boas, perdi um e meti o outro como porta chaves. falo sozinha e sou trapalhona. danço e canto no carro mas sozinha porque não quero ser responsável pela morte de ninguém. gosto de atenção, de mensagens logo de manhã, de partilha, de me sentir princesa. aqui não há mas. gosto mesmo. não faço fretes. não faço favores. vou de cabeça, arrisco, nao quero saber, acredito que vai correr tudo bem, acredito em finais felizes, acredito em arriscar e aprender. acredito em impulsos e em demonstrações. não sei se continuas a querer arriscar.
Farto me de falar mal da minha família mas nao te atrevas a fazer o mesmo. gosto de vinho e queijo. e gosto de cozinhar, de carne crua e pepino. adormeço com series em repeat porque a rotina me sabe bem. não gosto de surpresas mas adoro fazê-las. posso ser marota debaixo da mesa num jantar de família no natal mas ficar corada se me quiseres fazer o mesmo. adoro o meu trabalho e levo-o para casa. para o bem ou mal. tanto posso te contar que estive com um casal que se conheceu numa sex shop há vinte anos e adorei assim como um grupo filho de puta tao merdoso que os meti num barco com levante a levar porrada e a vomitar. nao esperes muita atividade física, os carros foram inventados para evitarmos caminhadas mas se for no meio da serra de Arrábida a ver se encontramos raposas, estou lá. gosto de choco frito.nao ligo a dinheiro. não gosto de praia, acho demasiado calor e areia e agua mas fico debaixo do guarda sol a ler. prometo. tenho imensa bagagem mas vais gostar dela. e tenho imensos caes e vais gostar deles também, especialmente do meu, o que parece um gato, sempre a metro e meio de mim mas nunca se afasta mais, não me larga, é o meu anjo da guarda. nao gosto de matilhas, de bullying e sou sempre pelo mais fraco. geralmente só descobrem que sou boa pessoa quando sou a única a nao largar depois de toda a gente ter desistido. gosto de dormir e de ronha. a minha irmã e chefe, duas pessoas que me ajudavam a ser melhor decidiram mudar de país e isso deixa-me frágil. gosto de poucas pessoas mas depois quando gosto sou dependente delas e preciso tê-las próximas. tenho twitter mas espero que nao o descubras, é o único sitio onde posso escrever o que me apetece. também tenho fb porque acredito na partilha de vídeos de cães fofinhos. Quero conhecer a Itália, também quero ver auroras boreais e tudo isso de carro. tenho péssimo gosto musical mas orgulho-me dele. gosto de cremes perfumados, só tenho dois perfumes. acredito em amuletos da sorte, tinha uns brincos que me traziam coisas boas, perdi um e meti o outro como porta chaves. falo sozinha e sou trapalhona. danço e canto no carro mas sozinha porque não quero ser responsável pela morte de ninguém. gosto de atenção, de mensagens logo de manhã, de partilha, de me sentir princesa. aqui não há mas. gosto mesmo. não faço fretes. não faço favores. vou de cabeça, arrisco, nao quero saber, acredito que vai correr tudo bem, acredito em finais felizes, acredito em arriscar e aprender. acredito em impulsos e em demonstrações. não sei se continuas a querer arriscar.
o que eu quero é que sejas feliz .I.
Há a mania de que ficamos felizes pelos outros quando decidem ir embora. mesmo que nos tenham trocado por uma vaca de trezentos quilos e com mais maquilhagem do que o nosso armário, há o politicamente correto de informar que "ficamos felizes por eles". a amizade e o amor hoje são tão higiénicos que somos felizes pelos outros, por os outros, pondo a nossa felicidade em segundo, terceiro ou mesmo quarto plano porque é assim que somos, racionais e lógicos. gritamos na almofada, metemos o nosso melhor sorriso porque o importante é a vossa felicidade, nao a nossa. até ficamos amigos da nossa paixao só para poder cuidar dele enquanto o ouvimos falar da ex. pó caralho.
A minha chefe e amiga informou me que iria mudar se para os Açores. vai deixar de ser minha manager, provavelmente minha amiga. Se fico feliz por ela? ainda não. ainda lambo a ferida de ela me deixar e, provavelmente nunca mais a ver. É que isto de criar laços é uma merda, demoras eternidades para dizer que nao gostas de surpresas, que no fundo és sensível ou mesmo insegura, a pessoa aprende a lidar contigo, há essa coisa espetacular chamada confiança e as coisas encaixam para, um dia, a vida correr o seu próprio destino e se afastarem. se estou chateada com ela? não. Se estou feliz por ela? ainda nao. ainda penso na falta que me vai fazer, no incentivo que me dava e, especialmente, na maneira como a conseguia fazer rir no meio de tragédias. não quero estar feliz por ela, nem por ela nem por ninguém que me faz falta, lamento. vocês fazem me falta e dói. a falta dói a quem sente. nao há cá "o importante é seres feliz" oh porra, não, o importante é sermos felizes, não tu feliz e eu miserável porque nao vou ter alguém que me vai incentivar a entrar numa arena com 60 franceses mal dispostos. sentir falta dói, mesmo que a pessoa em questão vá para melhor, nós ficamos aqui, na mesma, com um buraco no coraçao e a sensaçao de perda.
A minha chefe vai-se embora e informou-me com pezinho de lã, eu respondi com grunhido de leão. prometo que ficarei feliz um dia, penso que talvez daqui dois três mas, por enquanto, deixem-me lamber a ferida da falta que me faz. a falta que todos os que se foram embora me fazem. depois sim, fico feliz por eles.
A minha chefe e amiga informou me que iria mudar se para os Açores. vai deixar de ser minha manager, provavelmente minha amiga. Se fico feliz por ela? ainda não. ainda lambo a ferida de ela me deixar e, provavelmente nunca mais a ver. É que isto de criar laços é uma merda, demoras eternidades para dizer que nao gostas de surpresas, que no fundo és sensível ou mesmo insegura, a pessoa aprende a lidar contigo, há essa coisa espetacular chamada confiança e as coisas encaixam para, um dia, a vida correr o seu próprio destino e se afastarem. se estou chateada com ela? não. Se estou feliz por ela? ainda nao. ainda penso na falta que me vai fazer, no incentivo que me dava e, especialmente, na maneira como a conseguia fazer rir no meio de tragédias. não quero estar feliz por ela, nem por ela nem por ninguém que me faz falta, lamento. vocês fazem me falta e dói. a falta dói a quem sente. nao há cá "o importante é seres feliz" oh porra, não, o importante é sermos felizes, não tu feliz e eu miserável porque nao vou ter alguém que me vai incentivar a entrar numa arena com 60 franceses mal dispostos. sentir falta dói, mesmo que a pessoa em questão vá para melhor, nós ficamos aqui, na mesma, com um buraco no coraçao e a sensaçao de perda.
A minha chefe vai-se embora e informou-me com pezinho de lã, eu respondi com grunhido de leão. prometo que ficarei feliz um dia, penso que talvez daqui dois três mas, por enquanto, deixem-me lamber a ferida da falta que me faz. a falta que todos os que se foram embora me fazem. depois sim, fico feliz por eles.
é o que é (nao vão entender mas é o que é)
a minha irmã vem do terapeuta e diz me que tem de enfrentar quem a incomoda. respondo que tem de escolher as suas batalhas. ela é a minha melhor amiga mesmo que não lhe conte o que me envergonha porque ao não contar, talvez não tenha acontecido e continuo imaculada na sua vida. diz que não é como eu que passo ao lado do que me incomoda e cicatrizo sozinha e reparo que não me conhece assim tão bem. não sabe que dentro de mim vive um pai português e uma mãe alemã e que cada um deles vem à superfície quando menos espero. Não chega a ser bipolaridade, é abrir a boca e o coração e lembrar que sou o meu pai por ser demasiado sangue quente e emotiva e merdas e abrir a boca 24 horas depois e ouvir-me na voz da minha mãe, fria, decidida e sem hipóteses de segunda oportunidade. não é mau, não é bom, como odeio que digam, "é o que é". no outro dia, o meu colega disse aos meus hospedes que sou cão que ladra mas do mais leal e fofo que existe, isso lembra-me que em cada reunião, começo por me apresentar com um "não sou tão rude quanto pareço" e, ironicamente, no fim de cada estadia, os meus hospedes abraçam-me desajeitadamente dizendo que não sou tão rude quanto pareço. partiram-me o coração há pouco tempo e estou a colar os pedaços. lembro me sempre de uma merda qualquer posta no insta que diz "i was never asking for too much, you were an idiot for making me believe i deserved less". a minha irmã, durante alguns tempos, desabafava que precisava de conhecer outra pessoa para cicatrizar e recomeçar. entendo. é o que é, meu deus como odeio essa frase. a minha irmã voltou do terapeuta e diz que tem de enfrentar quem a incomoda e eu continuo a achar que tem de escolher as suas batalhas, a maior parte das vezes deixo passar porque não quero gastar energia em merdas que não interessam; meticulosamente escolho o que mais me aborrece e quando formalizo a "batalha" faço de tudo para a ganhar. consegui fechar um hotel assim, perdi dez anos de vida mas consegui. partiram-me o coração mas é bem feita, na voz da minha mãe consigo ouvir me a chamar "ca burra" enquanto o meu pai cola os pedaços com amigos e trabalho. faço print de frases motivacionais enquanto espero o trabalho começar e depois esqueço me do que me doeu.
Tive um grupo de 35 pessoas esta semana. ia fazer uma apresentação numa sala escura com ar condicionado. eles estavam cansados e pedi a minha "manager" se podia alterar tudo e ir tomar o pequeno almoço com eles, aproveitar e fazer a reunião lá. "faz o que achas melhor" e fiz e correu tão bem que fui falatório na empresa. "you think outside the box" e não, não é o que é, é o que me faz feliz e, consequentemente, sobreviver e viver. acredito mesmo nisso e acredito em tudo o que aparece antes do "the end" nos filmes românticos. acredito no afonso cruz que achava que quando se conhecia alguém, se queria começar o mais depressa o passado para que as recordações fossem muitas e acredito nos sinais, que quando dois não querem um não pode e acredito no poder da mente que me afasta de tudo o que me faz mal e acredito que mesmo a minha irmã, quando vem do terapeuta e me diz que tem de enfrentar os seus demónios, lhe aviso que nem todos os demónios têm de ser combatidos. acredito em tudo menos no "é o que é" porque não é o que é, é o que queremos. eu quero muito.
Tive um grupo de 35 pessoas esta semana. ia fazer uma apresentação numa sala escura com ar condicionado. eles estavam cansados e pedi a minha "manager" se podia alterar tudo e ir tomar o pequeno almoço com eles, aproveitar e fazer a reunião lá. "faz o que achas melhor" e fiz e correu tão bem que fui falatório na empresa. "you think outside the box" e não, não é o que é, é o que me faz feliz e, consequentemente, sobreviver e viver. acredito mesmo nisso e acredito em tudo o que aparece antes do "the end" nos filmes românticos. acredito no afonso cruz que achava que quando se conhecia alguém, se queria começar o mais depressa o passado para que as recordações fossem muitas e acredito nos sinais, que quando dois não querem um não pode e acredito no poder da mente que me afasta de tudo o que me faz mal e acredito que mesmo a minha irmã, quando vem do terapeuta e me diz que tem de enfrentar os seus demónios, lhe aviso que nem todos os demónios têm de ser combatidos. acredito em tudo menos no "é o que é" porque não é o que é, é o que queremos. eu quero muito.
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